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Homenagem da fiel torcida 22/01/2010

Posted by admivan in atualidades, Vídeos.
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100 anos de história!

Veja a homenagem da fiel torcida!

Corinthians minha vida

Corinthians minha história

Corinthians meu amor

Viva o timão!

Diabólica – Parte 1 08/12/2009

Posted by admivan in Leitura, Textos.
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Autor: Nelson Rodrigues

Livro: A vida como ela é

Conto: Diabólica

PARTE 1

Na noite do pedido oficial, Dagmar, de braço com o noivo, foi até a janela; que se abria para o jardim. Então, com uma tristeza involuntária, uma espécie de presságio, suspirou. E foi meio vaga:
— Caso sério! Caso sério!
E Geraldo, baixo e doce:
— Por quê?
Dagmar vacila. Finalmente, tomando coragem, indica com o olhar:
— Estás vendo minha irmã?
— Estou.
Durante alguns momentos, olharam, em silêncio, a pequena Alicinha, de 13
anos, que, na ocasião, apanhava uma flor, no jarro, para dar não sei a quem. Dagmar pergunta: “Bonita, não é?” Geraldo concorda: “Linda!” Então, pousando a mão no braço do noivo, a pequena continua:
— Por enquanto, Alicinha é criança. Mas daqui a um ano, dois, vai ser uma
mulher e tanto.
— Um espetáculo!
Sorriu, triste:
— Um espetáculo, sim! — Pausa e, súbito, tem uma sinceridade heróica: Há
de ser mais bonita do que eu.
Geraldo interrompeu:
— Protesto!
Foi quase grosseira:
— Não me põe máscara, não! Eu tenho espelho, ouviu?! Agora, que sou tua
noiva, quero te dizer o seguinte.
— Fala.
E ela:
— Você é homem e eu sei que esse negócio de homem fiel é bobagem. Mas
toma nota: se você tiver que me trair, que não seja nem com vizinha, nem com amiga, nem com parente. Você percebeu?
Surpreso e divertido, exclama:
— Você é de morte, hein?

AS IRMÃS

Havia entre as duas uma diferença de quatro anos; Dagmar tinha 17,Alicinha
13. Até então, Geraldo via a cunhada como uma menina irremediável. No fundo, talvez imaginasse que ela seria para sempre assim, criança, criança. A observação da noiva o apanhou desprevenido. Pouco depois, olhava, para Alicinha, com uma nova e dissimulada curiosidade. Sentiu que a mulher, ainda contida na menina, começava a desabrochar. Esta constatação o perturbou, deu-lhe uma espécie de vertigem. Na hora de sair, despediu-se de todos. A noiva veio levá-lo até o portão.
Ao ser beijada na face, disse:
— E não se esqueça: Alícinha é sagrada para você!
Era demais. Doeu-se e protestou:
— Mas que palpite é esse? Que idéia você faz de mim? Sabe que, assim você
até ofende?
Cruzou os braços, irredutível:
— Ofendo por quê? Os homens não são uns falsos?
— Eu, não?
Replicou, veemente:
— Você é como os outros. A mesma coisa, compreendeu?


Continua…